3 de fevereiro de 2012

Filme: As Aventuras de Tintim



As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne
The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn
Bélgica / Nova Zelândia / EUA
2011
Animação
107 minutos

Dirigido por: Steven Spielberg.
Escrito por: Steven Moffat, Edgard Wright, Joe Cornish.
Baseado na obra de Hergé.
Elenco: Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Nick Frost, Simon Pegg.


Quando se fala em Tintim, logo lembramos da série de desenhos animados, aqui no Brasil transmitida pela TV Cultura ao longo dos anos 90, uma produção franco-canadense que fez muito sucesso no mundo todo. Nos episódios, acompanhávamos as aventuras e investigações do jovem Tintim, sempre ladeado por seu companheiro constante, o pequeno cachorro branco Milu.

Mas Tintim surgiu nos quadrinhos, em 1929, no Le Petit Vingtième, um suplemento do jornal belga Le Vingtième Siècle, através dos traços do artista Georges Prosper Remi, mais conhecido como Hergé. Hergé iniciou seu trabalho com Tintim criando uma técnica que posteriormente ficou conhecida como “ligne claire”, ou linha clara, onde se encontra um desenho com linhas e cores fortes, sendo as linhas com espessura uniformizada (é por isso que o estilo também é conhecido como “democracia de linhas”).


Atualmente, Tintim está presente em vinte e quatro álbuns de quadrinhos, trinta e nove episódios animados, de meia hora cada um, e, recentemente, também se destaca nos cinemas com o mais novo As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne, produzido por Peter Jackson e dirigido por Steven Spielberg. O filme, no entanto, só está indo bem nas bilheterias pois a série criada por Hergé é mais consumida na Europa e restante do mundo do que nos Estados Unidos. Já é um ponto a considerar para continuações.

E falando em Steven Spielberg, o diretor flertava com o investigador de topete ruivo desde que seu Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida fora comparado por um jornal francês com os quadrinhos de Hergé. As semelhanças estavam entre o estilo aventuresco e fictício abordado tanto por Tintim, quanto por Mr. Jones. O problema era conseguir passar para um linguagem cinematográfica todo o estilo perpetuado pelo quadrinista, tanto para não decepcionar os fãs, quanto para não perder dinheiro gasto nas futuras bilheterias.



Trinta anos depois, a tecnologia desenvolveu-se astronomicamente e Spielberg pôde botar a mão na massa, não antes de firmar parceria com Peter Jackson, amante de Tintim e suas investigações bem desenhadas, e, de quebra, ter a oportunidade de trabalhar com o trio de roteiristas responsável pela ótima adaptação de Scott Pilgrim Contra o Mundo para o cinema. É com eles que As Aventuras de Tintim ganha, entre os vários bons ingredientes, humor e carisma de sobra.

O filme já começa (após os créditos iniciais, que são mostrados de forma divertida e singela, acompanhados pela boa música de John Williams) apresentando as personagens em uma cena muito simpática, situada em uma praça da cidade. É iniciada uma situação coerente para a apresentação das personagens, e é a partir dessa sequência que o espectador deve tomar fôlego e ir soltando-o aos poucos para poder respirar.



Digo assim pois As Aventuras de Tintim é um frenesi de ótimas sequências de ação que Spielberg parecia ter se esquecido de como era bom em dirigir. Desde Jurassic Park e seu tiranossauro gigante e assassino que não se via um filme spielberguiano onde não há tempo para piscar sem perder detalhes mínimos (talvez Guerra dos Mundos entre nessa classificação com sua sequência onde a população é pulverizada pelos tripods dos alienígenas).

Sem contar a ótima adaptação do traço de Hergé: apesar de não vermos ali a ligne claire perpetuada pelo belga, a computação gráfica mistura nas personagens pessoas reais com os detalhes típicos do quadrinista, como os narizes arredondados, por exemplo. O 3D também cai como uma luva para a animação. Se você for ao cinema para desviar de coisas jogadas contra a câmera propositalmente, esqueça: a terceira dimensão está presente para extenuar a profundidade dos planos utilizados em cada tomada; e de uma forma impecável.



É nesse ponto que os atores revelam suas interpretações mais genuínas. Como a animação foi gerada a partir da tecnologia que capta os movimentos de cada ator, posteriormente desenvolvidos e adaptados para as personagens animadas, aqueles puderam interpretar livremente, não precisando esperar por acerto de iluminação etc. Quando vemos o resultado na grande tela, observamos o desenho típico de Hergé numa mistura com humanos e, por baixo da cobertura gráfica gerada por computador, a interpretação de cada ator.

Na busca pelo Segredo do Licorne, acompanhamos Tintim e Milu (e, posteriormente, Capitão Haddock), através de muitos cenários (mar, deserto, cidade, porto), muitas sequências de ação salpicadas por vários momentos de um humor refinado tipicamente hergeniano (o humor pastelão está presente também, como Dupont pisando no gato e caindo da escada), tudo com a presença de personagens ótimas e bem desenvolvidas.



Ao fim da sessão, a sensação que se destaca é satisfação. Nada como acompanhar um filme bem desenvolvido desde a pré-produção, embasado com roteiristas talentosos e bons atores, apoiado em tecnologia avançada e sob a responsabilidade de diretores e produtores de sucesso. Sem contar a origem de tudo: a criação incrível de Hergé.




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Ewerton

Sobre o autor

Ewerton Estudante de Letras, gosta de escrever, ler e analisar tudo o que está em alta (ou não) no mundo pop atual e antigo. Curte música pop e indie e, nas horas vagas, brinca de ser crítico de cinema.
@ewertonmera A Bombonière

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